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AMOR (?)  QUE  MATA

 

 Ultimamente a imprensa tem noticiado casos de mulheres mortas pelos seus ex-companheiros, os quais alegam não terem suportado a separação, pois as amavam e “não conseguiriam viver sem elas”. Será? Ora, se as mataram não destruíram, em definitivo, a possibilidade de reconquista e de uma vida em comum? O quê acontece nesses casos? Vale lembrar que homens também são mortos por ex-companheiras pelo mesmo motivo: ciúme. Mas não um ciúme “normal” presente quando se tem amor verdadeiro mas, sim, um “ciúme patológico/doentio” onde o que prevalece é o “complexo de inferioridade”.

O conceito de Ciúme Mórbido ou Patológico compreende vários sentimentos perturbadores, desproporcionais e absurdos, os quais determinam comportamentos inaceitáveis ou bizarros. Esses sentimentos envolveriam um medo desproporcional de perder o parceiro(a) para um(a) rival, desconfiança excessiva e infundada, gerando significativo prejuízo no relacionamento interpessoal, levando à separação.

Nas questões de ciúme a linha divisória entre imaginação, fantasia, crença e certeza, freqüentemente se torna vaga e imprecisa. No ciúme as dúvidas podem se transformar em idéias supervalorizadas ou francamente delirantes. Depois das idéias de ciúme, a pessoa é compelida à verificação compulsória de suas dúvidas. O(a) ciumento(a) verifica se a pessoa está onde e com quem disse que estaria, abre correspondências, ouve telefonemas, examina bolsos, bolsas, carteiras, recibos, roupas íntimas, segue o companheiro(a), contrata detetives particulares, etc. Toda essa tentativa de aliviar sentimentos, além de reconhecidamente ridícula até pelo próprio ciumento, não ameniza o mal-estar da dúvida.

Os portadores de Ciúme Patológico comumente realizam visitas ou telefonemas de surpresa em casa ou no trabalho para confirmar suas suspeitas. Os companheiros(as) desses pacientes vivem dissimulando elogios e presentes recebidos ou omitindo fatos e informações na tentativa de minimizar os graves problemas de ciúme, mas geralmente agravam ainda mais.

O que aparece no Ciúme Patológico é um grande desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do companheiro(a). Há ainda preocupações excessivas sobre relacionamentos anteriores, as quais podem ocorrer como pensamentos repetitivos, imagens intrusivas e ruminações sem fim sobre fatos passados e seus detalhes.

No Ciúme Patológico várias emoções são experimentadas, tais como a ansiedade, depressão, raiva, vergonha, insegurança, humilhação, perplexidade, culpa, aumento do desejo sexual e desejo de vingança. Verifica-se auto-estima rebaixada e sensação de insegurança.

O(a)  portador(a) de Ciúme Patológico é um vulcão emocional sempre prestes à erupção e apresenta um modo distorcido de vivenciar o amor, para ele um sentimento depreciativo e doentio. A pessoa é extremamente sensível, vulnerável e muito desconfiada e tem como defesa um comportamento impulsivo, egoísta e agressivo.  O potencial para atitudes violentas é alto.

Por isso, o recomendado para quem sofre com o ciúme do parceiro(a), bem como, para seus convivas, é atenção e perspicácia. Quantos assassinatos teriam sido evitados se uma ajuda psicoterapêutica tivesse sido adotada, quando se percebeu que algo não estava bem com a outra pessoa, que seus pensamentos eram infundados e suas atitudes absurdas e que ele(a) não conseguia reconhecer isto.

A base do tratamento está na dissolução do ‘complexo de inferioridade” que domina o(a) ciumento(a). Tornar-se consciente de suas qualidades, eliminando o medo e a desconfiança “de si próprio(a)” que é transferido para o(a) suposto(a) rival, elevando a auto-estima. Amar-se e aceitar-se, para poder amar e aceitar o outro “incondicionalmente” é a base para um relacionamento autêntico, sadio e feliz.

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