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PSICOLOGIA ANALÍTICA

                 A psicologia analítica de Jung é um caso curioso na ciência. Embora suas idéias sobre a psique tenham se entendido muito bem com outras ciências como a física quântica e a antropologia e tenham inclusive influenciado a sociologia, Jung sempre foi considerado um tanto místico por grande parte de seus colegas psicólogos, tendo suas idéias relegadas a uma importância menor na história da psicologia e do pensamento contemporâneo.

         Jung afirmava que o inconsciente não é subproduto da consciência nem mero depósito para onde são desviados desejos recalcados e frustrações sexuais, como pensava Freud. Para Jung a consciência individual é que é produto do inconsciente coletivo da humanidade e traz consigo sua própria porção inconsciente, que com seus conteúdos escondidos da luz da consciência, influencia o comportamento do indivíduo. Nos recônditos escuros da psique o inconsciente está sempre atuando e faz com que os sonhos, em sua linguagem simbólica, sejam a representação fiel dos processos psíquicos - nosso apego à racionalidade é que nos afastou da linguagem dos símbolos e não mais a entendemos.

         Segundo Jung, o sentido da vida é a individuação, espécie de impulso natural da psique rumo à concretização da potencialidade que trazemos em nós (realização da personalidade total). Esse processo inclui um profundo conhecimento de si próprio através da auto-investigação psicológica, fazendo-nos mais cientes de nós mesmos e mais capazes.

           Para ele o processo de individuação é conduzido por um tipo de centro ordenador da psique, que ele denominou self (si-mesmo) e que seria ao mesmo tempo o centro e a totalidade da psique. Individuar-se significa ampliar a consciência, a área superficial da psique. Representa separar-se da massa, do turbilhão inconsciente, e adquirir autonomia; representa tornar-se uma totalidade psicológica, una e centrada, sem divisões internas: um “in-divíduo”. Este é o caminho para a personalidade total e a mais íntima realização pessoal. O futuro da humanidade dependerá diretamente disso: da quantidade de pessoas que conseguirem se individuar.

          Não é difícil imaginar o quanto isso deve ter soado místico a certas mentalidades. Quer dizer então que se eu entrar nessa meu eu superior passa a cuidar de mim? - brincam os mais céticos. Há, porém, os que pagam para ver.



                TAOÍSMO, ALQUIMIA E UFOLOGIA




             

                Jung foi ousado ao valorizar o estudo da mitologia, da alquimia, da astrologia, das religiões e da sabedoria oriental, mostrando a ponte para ligar dois modos distintos - mas não excludentes - de interpretar a realidade. Seu conceito de sincronicidade (coincidência entre estados psíquicos e acontecimentos físicos sem relação causal entre si), apresentou à mentalidade  científica o mecanismo  das "grandes" coincidências, dos oráculos como o tarô e dos eventos ditos ocultos.


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           Ele sugeriu que, assim como a ideia taoísta de unicidade, nosso inconsciente pessoal está ligado a todos os outros formando um inconsciente maior, único e coletivo - assim, sem percebermos, estão nossos pensamentos todos interconectados. Chegou à corajosa conclusão que a humanidade guarda em seu inconsciente geral o registro de todas as suas vivências, mesmo as mais arcaicas (mitos e arquétipos) e assim o passado de um torna-se patrimônio de todos (viria daí, afinal, a idéia de que já fomos alguém em outra vida, presente em tantas culturas?). Mostrou que o I Ching, o milenar livro chinês das mutações, constitui a primeira tentativa documentada de relacionar o inconsciente e o Universo e assim a mentalidade oriental deveria ser vista com menos preconceito... Jung falava de intercâmbio, não de descarte, entre distintas percepções da realidade. Mas a ciência tradicional deu risinhos.

          Seus estudos sobre a alquimia medieval mostraram que ela é precursora da nossa ciência do inconsciente. A relação mente-matéria já era conhecida dos alquimistas que, em sua linguagem descreviam, simbolicamente, os processos psíquicos. Sobre isso, diz a psicóloga Nise da Silveira, uma das mais respeitadas estudiosas da obra de Jung no mundo: "A exploração em profundeza do inconsciente levou ao curioso achado de que os mais universais símbolos do self (si-mesmo) pertencem ao reino mineral. São eles a pedra e o cristal. Se o psicólogo, nas suas investigações através das camadas mais profundas da psique, encontra a matéria, por sua vez o físico, nas suas pesquisas mais finas sobre a matéria, encontra a psique."

          As ideias de Jung influenciam até mesmo a ufologia. Hoje pesquisadores de todo o mundo se debruçam intrigados sobre o fenômeno óvni e o drama psicológico dos contatados e abduzidos (pessoas que dizem ter contatos com extraterrestres), buscando pistas que possam nos ajudar a compreender por que tudo isso está acontecendo.

          Já em 1958, em seu livro Um Mito Moderno sobre Coisas Vistas no Céu, Jung alertava que é preciso pensar nesses discos voadores de um modo mais abrangente e captar a verdade psicológica das aparições, não importando se são verdadeiras ou não. É preciso entender que quando um mito emerge das profundezas da psique para a vida cotidiana, força a consciência a integrar novos aspectos da existência e inaugura uma nova fase de evolução psíquica. Assim sendo, estamos, todos nós, nesse exato momento, sendo atingidos pelo forte impacto desse mito moderno e, confusos, ainda não entendemos exatamente que diabo está acontecendo. Os contatados e abduzidos são, no entanto, os mais atingidos. Como soldados da linha de frente de uma batalha, eles são forçados a vivenciar, como pioneiros, certas experiências que podem conduzir a humanidade a uma nova e mais abrangente compreensão da realidade e de si mesma.

          Para Jung o desequilíbrio psicológico levou a humanidade a um terrível impasse evolutivo: ou nos tornamos seres mais autoconscientes ou nos exterminaremos a todos. O fenômeno dos discos voadores, mito que alcançou a consciência coletiva no meio do século 20, é assim uma projeção inconsciente, nos céus, de um intenso anseio coletivo de salvação num momento crucial de desespero. As luzes e imagens circulares que vemos são a mais antiga e perfeita representação simbólica do arquétipo da unificação, equilíbrio e totalidade psíquica: o círculo. É como se a psique coletiva da humanidade jogasse aos céus seu recado urgente: “Atenção todos! Precisamos nos tornar mais inteiros e unificados!”

          As teorias junguianas sobre o fenômeno óvni são inadequadas para provar a existência física de naves e extraterrestres, é verdade. Mas esse não é seu papel. Elas agem contribuindo para alargar nossa compreensão do fenômeno, alertando para a relação entre o que ocorre na alma da humanidade e o que está acontecendo nos céus de nosso planeta.




       O CHAMADO PARA DENTRO

     

           Assim como alguém decide fazer um curso de computação para investir em seu futuro, muitos procuram a psicoterapia para... autoconhecer-se, saber de suas potencialidades. Aí está um grande investimento: conhecer-se melhor. Para viver melhor.

            O processo de individuação será sempre algo difícil. Mas ele é a base da existência. Durante muito tempo nós o vivemos apenas superficialmente mas em algum momento a psique chama o ego a voltar-se para dentro, a conhecer-se, a vasculhar no interior as verdades até então buscadas fora. A partir daí novos horizontes se abrem para a realização pessoal. Entretanto, mesmo sob esse impulso natural, o ego, temeroso de confrontar-se com seus medos mais íntimos, pode se recusar a tal interiorização. Nesse caso ele estará impedindo o fluxo natural de sua evolução e a psique, em sua capacidade auto-reguladora, encaminhará a vida a um conflito insustentável, ocasionando doenças, fracassos e até mesmo a morte.

           O autoconhecimento psicológico nos faz ver que os conflitos da humanidade acontecem primeiro dentro de cada um, sutilmente, para depois se exteriorizar. Para Jung, entendermo-nos com aquilo que não conhecemos de nós mesmos é o grande passo que falta ao Homo sapiens. Só assim deixaremos de ver o inimigo no outro e o reconheceremos onde sempre esteve: dentro de nós mesmos. Esta é uma verdade simples que poucos enxergam. Mas que traz em si a força das maiores revoluções.

        Jung deu o nome de Psicologia Analítica à sua teoria psicológica. Ela difere da psicanálise em muitos pontos mas, ele mesmo, não descarta a importância desta para alguns tipos específicos de terapia.

      A psicologia analítica incentiva o indivíduo a descer os degraus escuros do inconciente e, uma vez lá, reconhecer o que ele, na verdade, é e integrar esses conteúdos à conciência, tornando-se um ser mais completo e autoconsiente, um indivíduo.

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