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CALATONIA

 

Técnica de relaxamento físico e mental profundo, obtido através de toques sutis ou suaves aplicados em parte específicas do corpo. Além do relaxamento, a Calatonia propicia o a liberação energética que está envolvida em diversos sintomas auxiliando no tratamento psíquico e medicamentoso.

            Do verbo grego khalaó e da palavra grega tónos, o termo Calatonia significa “quebra do tônus muscular” que, em repouso, deveria estar relaxado, mas não o está devido a tensão psíquica ou física.

A Calatonia foi criada pelo médico húngaro Pethö Sándor no transcorrer da 2ª Grande Guerra para atender aos feridos de múltiplos traumatismos, embora sua especialidade fosse ginecologia e obstretícia. Como é de se imaginar os recursos médicos eram escassos e os profissionais da saúde precisam agir com criatividade e persistência para atender aos doentes. Nas palavras de Pethö Sándor (apud Rosa Maria Farah):

"Idealizou-se este método durante a segunda guerra mundial, com base nas observações feitas em casos de readaptação de feridos e congelados, no período posterior à grande retirada da Rússia. Num hospital da Cruz Vermelha foram atendidas as mais diferentes queixas na fase pós operatória, desde membros fantasma e abalamento nervoso, até depressões e reações compulsivas."

 

Profissional de grande sensibilidade, Pethö Sándor percebeu que a relação entre mente e corpo era inequívoca e, apesar de certo insucesso com técnicas de relaxamento diante das agruras da guerra e dificuldades dos pacientes em relaxarem, ele foi perseverante até inventar a Calatonia:

"Percebeu-se então, que além da medicação costumeira e dos cuidados de rotina, o contato bipessoal, juntamente com a manipulação suave nas extremidades e na nuca, com certas modificações leves quanto à posição das partes manipuladas, produzia descontração muscular, comutações vasomotoras e recondicionamento do ânimo dos operados, numa escala pouco esperada." Pethö Sándor (apud Rosa Maria Farah)

 

No período que trabalhou na Alemanha, Pethö Sándor sistematizou sua técnica baseando-a nos conhecimentos da Psicologia e da Neurologia.

O que fica evidente é a relação terapeuta-paciente mediada pelo toque, numa demonstração de cuidado, acolhimento e carinho levando à melhora psicofísica com reflexo na vida do pacient

 

 

 

CALATONIA E O SISTEMA NERVOSO CENTRAL

 

 

Em 1949, Pethö Sándor emigrou para o Brasil e continuou com o desenvolvimento da técnica aplicando-a mais diretamente na psicoterapia, onde a Calatonia passou a ser vista como um método de relaxamento. Mas ela é mais do que isso. Como explica a psicólogoa Rosa Maria Farah:

Vejamos como isto acontece: o procedimento básico da Calatonia consiste em uma série de "toques", que o terapeuta realiza em vários pontos do corpo do cliente; A sequência de toques mais conhecida - pois foi a primeira ensinada por Sándor - é realizada em nove pontos da área dos pés, acrescida de um toque na nuca (região occipital). Estes toques são feitos em silêncio, de forma simples e suave, durante 1 a 2 minutos em cada um dos pontos citados. Portanto os estímulos realizados pelo terapeuta vão atuar, em princípio, sobre a pele da pessoa que os recebe.

Assim, segundo este enfoque, a pele é considerada como o nosso principal aparato sensorial. Não apenas porque os nossos órgãos dos sentidos sejam, na verdade, tecido cutâneo que se diferenciou (como acontece com as mucosas da boca, na percepção do paladar); Mas principalmente porque cada milímetro de nossa pele é provido de numerosos "receptores nervosos", ou seja, estruturas neurológicas capazes de captar e conduzir os variados tipos de estímulos: calor, frio, pressão, etc. Como se fossem minúsculos radares, nos mantêm informados sobre a infinidade de estímulos à que somos submetidos à cada instante.link

Mas existe ainda uma outra característica importante da pele, que diz respeito à sua própria origem e formação durante nosso desenvolvimento ainda no útero materno: As células que lhe dão origem provêm da mesma camada embrionária da qual se forma nosso sistema nervoso central, ou seja, a ectoderme.”.

 

Com isso, fica evidente que a pele (assim como a íris - sobre isso veja link IRIDOLOGIA) é uma extensão do cérebro e, portanto está intimamente ligada a todos os órgãos e sistemas do corpo.

 

PSICOLOGIA E CALATONIA

 

A Calatonia, assim como o relaxamento, pode ser aplicada como uma técnica complementar e coadjuvante do processo psicoterapêutico visando, basicamente, maior envolvimento do paciente com seu tratamento e consigo mesmo. Esse procedimento tem o reconhecimento do Conselho Federal de Psicologia e pode ser aplicado pelo profissional psicólogo. Particularmente, são os junguianos que a utilizam como parte de sua práxis. Conforme excerto do texto da psicóloga Rosa Maria Farah:

 “...encontramos hoje em vários autores o reconhecimento da importância do contato - no sentido literal do termo - tanto para o adequado desenvolvimento de uma criança, quanto para a manutenção do equilíbrio psicofísico do adulto. Aliás, se olharmos um pouquinho para trás, vamos perceber que este nem é um achado tão recente da Psicologia: Jung já dizia, em 1935, que no tempo de nossos ancestrais a "consciência" humana formou-se a partir do "relacionamento sensorial da nossa pele com o mundo exterior" (7).

Pesquisadores como Neumann (8) ao estudarem o desenvolvimento infantil, expressaram uma idéia semelhante, ao afirmar que no recém nascido "noção de eu" forma-se gradativamente, a partir do contato que se estabelece entre a criança e sua mãe.

Voltando agora à forma de atuação da Calatonia: Já dissemos que os toques são realizados na pele. Estes estímulos vão portanto atuar sobre os inúmeros receptores nervosos ali existentes. E, mais ainda: vão se propagar naturalmente (9) (através das vias neurológicas aos quais estão conectados) para o sistema nervoso como um todo. Daí percebermos, na prática, que tal atuação se expressa de forma muito particular para cada pessoa com quem trabalhamos.

Para alguns, podem surgir, predominantemente, reações ao nível fisiológico e/ou motor (como "sensações", ou movimentos mais ou menos sutis); Para outros em termos afetivo/emocionais, (na forma de recordações, associações, etc.); Para outros ainda podem ocorrer alterações do estado de consciência análogos àqueles promovidos pela 'meditação', com a eventual recordação de imagens. Imagens estas que, do ponto de vista psicoterapeutico, têm um valor semelhante ao valor dos sonhos.

Assim, a Calatonia atua potencialmente em vários níveis sobre a complexa estrutura psicofísica de cada indivíduo, trazendo à tona elementos, que podem ser elaborados dentro do contexto da psicoterapia. Além disso, pode atuar também promovendo "reequilibrações" do sistema psicofísico, através de processos mais sutís,...”.

 

Após a criação da técnica, a mesma foi sendo aprimorada pelo próprio Pethö Sándor e por terapeutas que a utilizavam, tendo sido incorporados inúmeros outros "toques sutis". Uma aliada da técnica, dentro de minha experiência clínica, é a "intuição". Se estou em estreita interação inconsciente e empática com meu paciente, é natural que, assim como ocorre numa situação de contratransferência, a intuição me guie ao tocar o corpo da pessoa que está em tratamento. Logicamente, há que se ter certa cautela e consciência de seu uso pois, se pode ocorrer uma contratransferência negativa que obstrua a relação terapêutica ou desestabilize o paciente, o mesmo pode ocorrer se nos deixarmos levar "inconsequentemente" pela intuição. Um exemplo, seria a aplicação da Calatonia em terapia que envolva a sexualidade.

A Calatonia pode ser aplicada em bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos. Ela é mais uma prova de que "mente e corpo" é a expressão de uma mesma e única "coisa". O que fizermos em uma refletirá na outra e vice-versa.

 

Referência bibliográfica:

FARAH, Rosa Mara. http://www.rubedo.psc.br/artigosb/calatoni.htm. Acessado em: 11.09.2012

 

 

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